21 de outubro de 2009

Duas sementes que não germinaram



É assim que a Conceição Ledi ( tenta) imaginar para amenizar o sofrimento.

É assim que ela tenta enxergar quando olha o ventre,
Quando inclina a cabeça e vê a saliência abaixo dos seios e encima da pelve.
O motivo dos kilos a mais,
O motivo dos enjôos,
Os desejos por suco de clorofila, lasanhas, nhoques, pão francês com couve refogada.


A " briga " para decidir os nomes,
A dúvida nas cores do enxoval.




Lara e Sophia
Lilás e branco
( mas algumas peças em salmão e rosa, na hora da dúvida)






O fato é que eu não queria.
Ela não planejava,
Mas decidiu assumir.
Sozinha, claro, mesmo porque ela só teve o que podemos chamar de " doador de espermatozóide".


A indignação da família,
O apoio dos amigos reais, virtuais...

Vestidinhos novos a toda semana,
O medo de como seria ( tumultuada) essa vida nova.

A certeza de ganhar (mais) presentes no Dia das Mães
A certeza de dar (mais) presentes nos Dias das Crianças

A luta para parar de beber, de fumar.
E ela estava conseguindo...
Mesmo!!!

A notícia que (já) mudou toda sua vida veio para acabar com esse lindo sonho.

Duas vidas jogadas fora
Dois corações que já não batem mais,
Descansem em paz
Sonho que foi embora antes da fora,
Sonho que ficou para trás.

A dor é do tamanho de um prédio
A casa já está sendo um tédio.
Não tem remédio, não tem explicação, não tem volta.

Ela está com medo de perder o seu amor pela vida
e voltar a ter tendências suicidas.

Por quê?
Why?

Ela está tentando entender o propósito.
Está tentando passar por todas as fases.

Principalmente a fase da perda,
a mais difícil, depois de sentir crescer, mexer, chutar.

Se eu pudesse sentir todas as dores físicas, eu optaria.
Cicatrizes do corpo são mais fáceis de controlar,
São passíveis de operar.


Dores metafísicas, difíceis de disfarçar,
teimam em atormentar almas fragilizadas.

A dor de se desfazer de coisas que você imaginava lavar depois, é cruel.

Espero que sirvam para meninas lindas que virão de outros ventres,
Eu, só pude tocar naqueles macacões.
Quem sabe, outras mães possam vê-los com contéúdo,
ao contrário de mim, que sempre vi o imaginário.

E assim será.
Irão comigo, para onde eu for.
Na minha mente, no meu coração.
Pois de certa forma, elas existiram e sempre existirão, nem que seja no CD do exame.

Por opção, vou mantê-las sempre vivas dentro da Ledi,
e como disse, certa vez, Samuel Rosa:

" Suplico que não me mate, não
Dentro de Ti... "



3 comentários:

  1. Uau, adorei o post! Sempre disse isso, "a Go q eu conheço é muito forte", vai passar por isso de letra, mas se precisar de ajuda, sabe com quem contar :)

    ResponderExcluir
  2. *-* Gozinha, moreco...vamo seguir, só isso.
    Bjus
    Amo te
    Não vejo a hora de botar os olhos e os braços em você!

    ResponderExcluir
  3. Go, eu só sei dizer oq tenho pra dizer na minha língua!!!

    Aktum mida oski te ua me. Nura mame kiru mashe u ata kerudaua tamis oruma taka!!!

    Mas o que importa mesmo, é a única palavra que te ensinei em meu idioma... Dashimashite, é o que essas meninas são para mim.

    ResponderExcluir

Obrigada!!
Você acabou de fazer uma blogueira feliz!!